A construção do bem coletivo

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Pensar primeiramente na coletividade que em si mesmo, com certeza, não é uma característica natural do ser humano. Muito já tratamos neste espaço sobre a natureza do egoísmo, concluindo que nenhum homem, por mais evoluído e consciente que seja, seria capaz de negá-lo completamente entre os seus defeitos. Todos nós somos egoístas por natureza e, por isso, o conceito de bem coletivo precisa ser trabalhado dentro de cada um de nós como uma virtude. A própria dualidade com que interpretamos o mundo, dividindo tudo em certo ou errado, propicia argumentações que favorecem o egoísmo em detrimento do bem coletivo. Seja como for, pode-se perceber (e conhecer) milhões de pessoas em todo o planeta que se doam diariamente em prol do coletivo, compartilhando sua individualidade e sabendo que as transformações não são imediatas, mas acreditam nas mudanças.

O bem coletivo sempre ocupou boa parte do pensamento dos filósofos, das doutrinas de Direito, das religiões, da política, e nenhuma delas nega a interdependência entre o individual e o coletivo. É a partir da ampliação da consciência individual que se forma a consciência coletiva e esta orienta práticas religiosas, políticas, econômicas e de direito. Da mesma forma, a racionalidade, os interesses, os serviços sociais, os direitos fundamentais dos indivíduos definem-se por suas funções. Nenhum sistema seria capaz de ignorar, sob pena de ineficiência, constrangimentos e autodestruição, as aspirações de uma multidão de seres conscientes.

Nos chamados anos políticos, anos de eleição, a dúvida sobre quem teria o perfil de político ideal para ser colocado no poder emerge com maior visibilidade e as propagandas políticas procuram traçar esse perfil, muitas vezes com realidades bem diferentes do que se chamaria de ideal. No entanto, a ampliação da consciência coletiva evidencia que há uma camada crescente de eleitores, que reconhecem a sua responsabilidade na escolha de seus representantes e fazem valer o seu poder constitucional: “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos”. Essa não é uma preocupação nova: desde o século V, antes de Cristo, Platão, em sua obra “A República”, já almejava traçar um perfil político de um governante capaz de agir para a edificação de uma sociedade baseada no bem coletivo.
Estar consciente da responsabilidade individual significa, portanto, colaborar, de maneira eficiente e duradoura para o bem coletivo. Seja por parte da formação da sociedade, enquanto cidadãos comuns, seja do ponto de vista do ser político, buscando intenções sadias, realizar o melhor possível dentro de um alto espírito público, patriótico e com consciência de sua responsabilidade. Um político ideal é aquele que se dedica ao bem coletivo, cooperando com suas ações políticas para obter mudanças que produzam uma melhor sociedade humana. É bem verdade que não é fácil, por exemplo, ter uma ação que otimize o recurso público sem pensar em agradar os eleitores. Ainda assim, o meio político, cada vez mais, vê crescer o número de pessoas interessadas em escrever sua própria história como agentes transformadores. A política, enquanto ciência, não investe no indivíduo, portanto, não favorece o crescimento interior do indivíduo, que, por sua vez, é o responsável pela ampliação do sentimento coletivo.

Uma rápida reflexão mostra-nos ainda que é em criança que o sentimento coletivo começa a ser moldado, seja por meio do aprendizado das regras das brincadeiras, seja pelos sentimentos de inveja e ciúme que aparecem quando se vive em grupo. Na vida adulta, o sucesso de uma ação política resulta da aprendizagem da infância, do fluxo interno com boa coordenação do movimento externo. Por mais que buscar o ideal pareça uma utopia, pensadores mais modernos admitem que este é um sonho possível, mas terá que ser um sonho coletivo, almejado por uma sociedade que deseje ser civilizada.

Kleber Adorno

 

Glória do Ocidente Virtual

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