Kleber AdornoGrão Mestre Geral
A vida contemporânea, e os seus paroxismos, tem provocado nos seres humanos uma série de sentimentos, muitas vezes contraditórios, e sem explicação plausível, para aqueles que são dominados por eles.
A solidão humana se evadiu do Olimpo dos Deuses, dos enamorados, dos poetas e inspirados, e hoje permeia as mais diversas classes sociais, sem distinção de categoria, qualidade de vida ou região. Tanto isso é verdade que o índice de autoextermínio em países muito desenvolvidos, muitas vezes é superior ao dos países em desenvolvimento, e dos que ainda não possuem as condições necessárias à sobrevivência digna de sua gente, num testemunho eloquente de que o apego à existência, nem sempre está ligado às condições materiais.O fato, é que todos nós, nem sempre reservamos um mínimo de tempo para um reencontro com a gente mesmo. Estamos continuamente na busca do outro como se estivesse nele o arquétipo dos nossos sonhos e aspirações, ou ao contrário, como se nele residissem todas as imperfeições que repudiamos. Moramos quase sempre fora do nosso interior, numa incessante necessidade de demonstração de uma força que não temos, de uma riqueza que não possuímos, e de uma aparência que não nos revela, verdadeiramente, como somos na nossa essência.
Na verdade, na maioria das vezes, nos vestimos da vaidade, e dela nos nutrimos, como se fosse um alimento saudável para nossa alma, e desconhecemos que ela é a destruidora da luz que emerge de dentro de cada serhumano e que é ela a respons ável pela imortalidade de cada um de nós. Fazemos assim, opção pelas coisas mortas, ou pelas coisas que só vivem nas aparências e que são breves e mortais pela sua própria natureza.
Creio que uma das causas dessa angústia é a pressa do mundo. Hoje é tudo muito rápido e muitos seres humanos se alimentam dessa velocidade como se ela fosse a responsável pela sua felicidade, desconhecendo que às vezes uma pausa na jornada é necessária para avaliação e descanso. Quase nunca programamos a nossa peregrinação que é quase sempre povoada de impulsos que nos movem em avanços imoderados ou em recuos desnecessários.
Nem sempre levamos em conta a sabedoria que decorre da cultura popular inscrita na máxima “a pressa é inimiga da perfeição”, ou como disse Rui Barbosa, em 1907, num famoso discurso “que a pressa é a mãe do tumulto e do erro”.
O mundo ficou apressado porque nos tornamos ligeiros e nos esquecemos da mansidão. É preciso recuperar isso se quisermos provar e usufruir a divina felicidade.
Tolerância e humildade conosco mesmos e com os outros são ingredientes essenciais nessa viagem. Não precisamos ter pressa para crescermos, para nos realizarmos, para amadurecermos, ou para galgar qualquer degrau que queiramos subir. É preciso paciência. A natureza não dá saltos, e o Livro Sagrado nos ensina em Provérbios 19:2 que “não é bom agir sem refletir, quem se apressa, tropeça”.